quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Mulher virtuosa, quem a achará?



Hoje estava lendo um artigo na revista Filosofia intitulado: Teologia Feminista: uma expressão da contracultura na religião”.

Em um dos parágrafos a autora diz:

“Nós, mulheres, somos socializadas com base
na figura masculina de Deus e mais, de um
ideal ou de uma essência que esta figura
estabeleceu para as mulheres. Trata-se aqui de uma
perspectiva essencialista, a partir da qual devemos
corresponder ao modelo de mulher que a religião
nos oferece.(...) Reafirmar a subjetividade feminina
na cultura e na religião partindo de outros referenciais
é abrir espaços para uma consideração igualitária
de nossa produção de valores e símbolos públicos”.

E mais adiante ela conclui:

“Considerar os textos bíblicos como Palavra revelada
por um Deus androcêntrico é considerar a
complexidade e a realidade humana de forma insuficiente”.


Quando leio esses artigos encabeçados pelo movimento feminista que ganhou grande força e amplitude a partir dos anos 60, no Brasil, reconheço o esforço dessas mulheres em se colocar em “pé de igualdade”com os homens.
Mulheres corajosas, que enfrentaram os rumos “machistas”da sociedade para que tivéssemos a autonomia, a emancipação e a história contada por outro viés.

No entanto, o que me entristece é pensar que tais mulheres não conheceram a Deus, nem tampouco o doce propósito Dele para cada uma delas...

A interpretação bíblica, convenientemente machista, fez com que muitas mulheres se afastassem de Deus e reivindicassem o que, de antemão, já havia sido garantido por Deus a elas, antes da fundação do mundo: Seu amor incondicional, o qual náo nos trata como homens ou mulheres, mas, simplesmente, como seus filhos...

A Mulher Virtuosa de provérbios 31, por exemplo, não precisou de nenhuma “feminista” para garantir-lhe emancipação e reconhecimento social. Ela não é nenhuma novidade como ser “executivo”, pois desde sua época já possuía capacidade de “empreender”, de prover e de exercer autonomamente o seu trabalho, sem dar explicações.

Há milhares de mulheres empreendedoras entre nós.

Assim como a mulher de provérbios 31, elas trabalham em muitos lugares. Algumas lavam roupa e sustentam a casa. Outras chegam até a serem “Presidentes”. Elas sabem cuidar de dois mundos tão díspares: o da casa e do trabalho—sem falar na gestão familiar e nos amigos.

Elas, na maior parte das vezes, conseguem dar conta de todos os mundos. Vão bem da cozinha ao trabalho. E no caminho ainda fazem mil outras provisões familiares.

No entanto, sua mais preciosa virtude é que "aquela mulher" faz aquilo tudo, tem toda aquela liberdade de movimento, faz sua própria agenda, lida com homens mercadores, compra, vende, prospera, dá conta da casa e dos filhos, e trabalha até a noite—mas nada disso aproveita sem a declaraçao de que "a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada".

E quem dá testemunho disso são seus próprios filhos e seu marido...

Levantam-se seus filhos, e lhe chamam bem-aventurada,
como também seu marido, que a louva, dizendo:
Muitas mulheres têm procedido virtuosamente,
mas tu a todas sobrepujas.
É aí que está sua grande virtude. Não está no que ela faz; está em quem ela é! Ela reúne charme, beleza, criatividade, capacidade produtiva, coragem para empreender, e generosidade com os pobres mas, acima de tudo, um grande temor a Deus...

Charme, Criatividade e Caráter!

Assim, posso dizer que a mulher de hoje reivindica liberdade, mas a confunde com libertinagem..
Escolhe a sedução ao invés da sabedoria.
Reivindica direitos iguais, mas, todavia, precisa ainda aprender a exercer sua liberdade sem o referencial machista, que é o feminismo.

E ela... teme ao Senhor!

Quando isto acontece, surge um ser grandioso, lindo, insuplantável.

De fato, como diz Paulo, surge aquela que é a “glória do homem”: a mulher! E se vejo bem, glória é expressão do melhor. Assim, o melhor do “homem” aparece na plenitude da verdadeira mulher!

Que nós, mulheres, sejamos mulheres tementes a Deus...
Mulheres virtuosas, de cama e mesa, e, se possível, com babados e rendas... com o toque feminino, sem o poder contaminado do feminismo... pois todos os “ismos” são invenções humanas, e já nascem corrompidos...

Que sejamos sensatas, honestas, livres no pensar...

Mulher virtuosa ...

Que teme a Deus e sabe que Ele a fez com propósito diferente, mas nem por isso subserviente ao homem...

Aquela que serve seu marido, mas sempre fica do tamanho dele...

Que é servida, mas sempre recebe isto com prazer;

Que se sente tão dona do seu marido quando ele se sente dono dela...

Que, juntos, conversam sobre as mais gulosas alegrias dos corpos deles, quando se libertam no encontro de amor...

Um beijo a todos, e em especial, a todas as mulheres virtuosas...
E a vocë, Sheilinha... todo o meu carinho e admiraçao por ser uma grande mulher virtuosa...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Liberte a criança que existe em você!






A criança, a infância, a adolescência, a fase pueril, “inocente”, nem sempre foram vistas com o mesmo olhar de hoje. A velha sociedade tradicional via mal a criança, e pior ainda o adolescente.

A duração da infância era reduzida a seu período mais frágil. De criancinha pequena ela se transformava imediatamente em homem jovem, sem passar pelas etapas da juventude, que talvez fossem praticadas antes da Idade Média e que se tornavam aspectos essenciais das sociedades evoluídas hoje.

A transmissão dos valores e dos conhecimentos, e de modo mais geral, a socialização da criança, não eram, portanto, nem asseguradas nem controladas pela família. A criança se afastava logo de seus pais, e pode-se dizer que durante séculos a evolução foi garantida pela aprendizagem, graças à convivência da criança ou do jovem com os adultos. A criança aprendia as coisas que devia saber ajudando os adultos a fazê-las.

A passagem da criança pela família e pela sociedade era muito breve e muito insignificante para que tivesse tempo ou razão de forçar a memória e tocar a sensibilidade.

Na sociedade moderna, a escola substituiu a aprendizagem como meio de educação. A criança passa a ser separada dos adultos e mantida a distância numa espécie de quarentena, antes de ser solta no mundo. Essa quarentena foi a escola. E assim começa um longo processo de enclausuramento das crianças (como dos loucos, dos pobres, das prostitutas, dos ladrões), que se estenderá até nossos dias, e ao qual se dá o nome de escolarização.


E hoje, em pleno século XXI, assistimos a uma revolução pedagógica responsável pela formação do imaginário que, segundo Franco Cambi, “ não passa mais pelo mundo familiar ou das culturas locais, a não ser uma escassa parte, mas, antes, é dominada pela televisão (...), e agindo sobre o imaginário, penetra com seu alimento e seu veneno em toda a personalidade infantil, adolescente e juvenil (sobretudo), (...) regulando modas, consumos, modelos e comportamento”.

As crianças têm sofrido muito, pois muito mais que um enclausuramento pelo viés da família e da escola, nossas crianças têm sido expostas a um “enclausuramento simbólico” que exige de nós uma grande responsabilidade frente a elas.

Jesus é o pedagogo por excelência, e conferiu respeito, valor, dignidade aos pequeninos quando afirmou em Mateus 21:16 que o perfeito louvor vinha da boca dos pequeninos”. Jesus envolveu-se com crianças curando, abençoando, providenciando alimento, libertando, impondo as mãos. No seu envolvimento com crianças, Jesus as incluiu em 7 milagres, 3 parábolas e 8 ensinos.

Quando Jesus estava com Seus discípulos, estes lhe perguntaram quem era o maior no reino dos céus. Ele tomou uma criança, colocou-a no meio deles e disse-lhes que aquele que não se tornasse como uma criança não entraria no reino dos céus, mas aquele que tivesse um coração humilde como o de uma criança, esse seria o maior no reino dos céus.

E disse mais: Qualquer que fizer tropeçar a um desses pequeninos, melhor seria que atasse uma pedra de moinho ao pescoço e fosse afogado nas profundezas do mar (Mt 18:1-7).

Que grande tarefa!
Cuidar bem dos pequeninos e aprender com eles.

Em verdade vos digo que quem não receber o reino de Deus como criança, de maneira nenhuma entrará nele” .

Que possamos libertar a criança que existe em nós!

Grande beijo,
Vanessa

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Tiremos as máscaras!





As máscaras são passaportes para mundos imaginários.


Na África, as máscaras foram criadas pelos artistas das tribos e usadas em ritos religiosos. No Antigo Egito as máscaras eram usadas em sacrifícios cerimoniais. As múmias eram mascaradas, antes do enterro, com máscaras adornadas de pedras preciosas.


Os Esquimós, no Alasca, acreditavam que cada criatura tinha uma dupla existência, e podia mudar para a forma de um ser humano ou animal, bastando querer.
Os nativos americanos, da parte noroeste dos Estados Unidos, usavam máscaras numa cerimônia anual em que choravam os mortos.


No Brasil, as tribos faziam e usavam máscaras representando animais, aves e insetos.


Na Ásia, as máscaras eram também usadas para cerimônias religiosas, e mais tarde, para funções sociais, tais como casamentos, e diversos divertimentos.


Na antiga Grécia e Roma eram usadas para festivais e teatros, foi onde começou o uso das máscaras para fins artísticos. Com o fim da antiga civilização Romana, as máscaras caíram em desuso. Os primeiros Cristãos atribuíram o uso de máscaras a cultos pagãos, tornando-as quase ilegais.


A máscara, historicamente falando, foi um adereço cênico do teatro grego.


No dicionário de Psicologia de Henri Pieron, o verbete máscara, tem o designativo de persona e vem com a seguinte conceituação: “Máscara que simula a individualidade e dá, tanto aos outros como a si próprio, a ilusão da individualidade, embora só se trate de uma máscara de “psique coletiva” que representa um papel” (Jung,1923).


A máscara é, pois, um artefato que caracteriza um aspecto superficial e falso.


Soren Kierkegaard certa vez disse que a vida é um baile de máscaras. Ele sabia que este era o escudo atrás do qual as almas se escondiam de si mesmas, e, assim, tentavam ocultar suas faces também para a percepção dos demais.


Para muitos, esconder-se atrás das máscaras é apenas uma questão de proteção ou de diversão inexaurível, um vício do ser, a tal ponto que sem as máscaras muitos homens não suportam e morrem. Assim, para a maioria, sem o personagem, acaba a pessoa.


Sendo assim, diz Kierkegaard, “você é tão mais bem sucedido, quanto mais enigmática for a sua máscara”.

A maioria existe assim. Daí, para muitos, catástrofes que lhes roubem as “máscaras” os deixam em estado de desespero, pois não possuem um rosto próprio ...


Vende imagem, e se alimenta dela.


Mas no dia em que as máscaras são tiradas, muitos não conseguem mais viver, pois neles não há uma vida própria, mas apenas uma existência fabricada para consumo no Baile de Fantasias, que é a existência da maioria.


Mas Deus sonda, perscruta nosso coração... Ele nos conhece e sabe que diante Dele todas as máscaras caem por terra...


Somos quem somos... desnudos, transparentes...


No Reino de Deus não haverá Baile de Máscaras... " Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus"... Só há perseguição quando há reconhecimento de identidade, revelação de quem, de fato, somos...


A Graça de Deus é um convite para que vivamos autenticamente ainda nessa vida! Mas temos que distinguir a Graça de Deus das nossas próprias gracinhas: nossas máscaras existenciais, belas aos olhos dos outros, sepulcros caiados diante de Deus!


Que possamos desmascarar, escancarar, arreganhar nosso coração diante de Deus e dos homens, testificando da Graça que habita em nós!


Reconheçamos isso, ou perderemos o poder unificador da personalidade e a capacidade abençoada de nos tornarmos alguém que seja realmente “nós mesmos”.

Grande beijo,
Vanessa

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Feliz e Triste 2008!






O ano de 2008 não será um ano fácil.

Lendo o livro “Vidas Desperdiçadas”, de Zygmunt Bauman, tive um “surto apocalíptico” existencial...
Apesar de ser mais um ano novo, em que a humanidade se alegra, vejo que ela se mascara, se engana e não há tantos motivos pra comemorar. Afinal, os prenúncios que o planeta nos dá são de que as dores do parto estão para começar.

A natureza nunca gemeu tanto... E geme pela tortura lenta, sistemática e cega que nós, os humanos, lhe impomos.

Mas o gemido de agora não é de um parto natural, mas uma sangrenta e primitiva cesariana.

A quase totalidade da produção e do consumo humanos tornou-se mediada pelo dinheiro e pelo mercado; a mercantilização, a comercialização e a monetarização dos modos de subsistência dos seres humanos penetraram os recantos mais longínquos do planeta.

E apesar da modernização ter progredido de modo triunfante, alcançando as partes mais remotas do planeta, ainda há fome, miséria, desemprego, tristeza, intolerância, insatisfação, egoísmo e morte.

E agora... todas as localidades (incluindo, de modo mais notável, aquelas com elevado grau de modernização) têm de suportar as conseqüências do triunfo global da modernidade..

A globalização se tornou a mais prolífica e menos controlada – “linha de produção” de refugo humano ou de pessoas refugadas. Ela liberou e pôs em movimento quantidades enormes e crescentes de seres humanos destituídos de formas e meios de sobrevivência...

E os problemas do refugo (humano) e da remoção do lixo (humano) pesam ainda mais fortemente sobre a moderna e consumista cultura da individualização.

Sem “um lugar ao sol” para todos, com o distanciamento cada vez maior entre ricos e pobres, com o massacre cada vez mais cruel das sociedades desenvolvidas sobre as subdesenvolvidas ou pré-modernas - aterros sanitários óbvios e prontos a serem utilizados para o despejo do refugo humano da modernização -, as comemorações de final de ano, os champanhes, os fogos de artifícios, os votos de feliz ano novo ficam cada vez mais simplistas, menos verdadeiros... pois não carregam em si essa mensagem!

Na verdade, a festividade do primeiro dia do ano será para celebrar um ano a menos de existência na Terra. Para quem não carrega no peito a esperança do Filho do Homem e de Sua volta, é apenas a celebração da proximidade da morte, não da vida.

Mas não temos como não nos alegrar com o futuro.

Fomos feitos para o Sempre.

E aqueles que conhecem a Deus já passaram da morte para vida.

E se vivemos, para o Senhor vivemos; e se morremos, para o Senhor morremos; quer, pois, vivamos ou morramos, nós somos do Senhor.
Por isso, que 2008 seja um ano com a extensão do que Cristo tem sido em nós, pois é Ele quem faz nova todas as coisas, quem virá com poder e glória para reinar por toda a eternidade... quem fará novos céus e nova terra... e quem enxugará dos nossos olhos toda lágrima!

Por isso, estou a cada dia mais próxima do que já é, e em mim será, pois Nele eu já sou.
Feliz e Triste 2008,
Mas um Feliz Ano Novo, com a consciência existencial do que haverá de vir...
Nele, em Quem somos,
Vanessa

domingo, 16 de dezembro de 2007

Fabriquemos pérolas!





Queridos amigos e irmãos:
Neste sábado nos reunimos na casa de Luiz Carlos e Vânia, celebrando com eles suas Bodas de Pérolas: 30 anos de casados, e felizmente casados.
Aproveitando a ocasião, e falando bem especificamente ao coração do casal, compartilhei sobre a relação que existe entre a ostra e a pérola.
Pérolas são produtos da dor, resultados da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior das ostras, como um parasita ou um grão de areia. Na parte interna da concha é encontrada uma susbtância chamada nácar. Quando o grão de areia penetra as células do nácar, estas começam a trabalhar e a cobrir o grão com camadas para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, uma linda pérola vai se formando ali no seu interior.
Assim, uma ostra que nunca foi ferida nunca vai produzir pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.
A convivência com alguém por 30 anos, com certeza, é resultado de muita produção de pérolas... Palavras rudes, intolerância, ciúmes, egoísmo, falta de gentilezas, acusações, mágoas... tudo isso deve ser coberto com várias camadas de amor...´Assim como o nácar cobre o grão de areia...
Há muitos casamentos e relacionamentos que podem ser comparados a ostras vazias, não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em amor.
Então, o desafio que fica pra todos nós é: fabriquemos pérolas!
O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta... O amor jamais acaba.
E é por meio do amor que somos capazes de perdoar e de nunca cultivar ressentimentos...
O resultado disso é extremamente valioso: pérolas existenciais...
Que tipo de ostra você é?
Que Deus abençoe ricamente a vida de Luiz Carlos e Vânia, e que seu casamento seja um referencial de vida conjugal pra todos nós.
Um beijo a todos,
Nele, que nos cobre com sua graça e seu amor, assim como nácar cobre o grão de areia...
Vanessa

domingo, 9 de dezembro de 2007

Felicidade é....


Queridos amigos e irmãos:

Graça e paz!

Que noite gostosa tivemos ontem, compartilhando saberes e experiências existenciais e também nos divertindo...

Falamos sobre o que é felicidade.

Vivemos num mundo ocidental, cuja ideologia neoliberal assombra nossas vidas com os bombardeios do "mercado", oferecendo a felicidade por meio da aquisição de parafernálias produzidas pelo capitalismo. Mas, se sabemos que "dinheiro não compra felicidade", o que é felicidade?



A Bíblia relata em Gênesis 1 o surgimento da infelicidade. Quando a Serpente oferece do fruto proibido a Eva, e esta a seu marido, e ambos aceitam a sugestão de que havia algo mais a saber, e a saber por si mesmo, e assim, fixam em seus corações a insatisfação como valor essencial, surge a infelicidade da felicidade.



Aceitam alcançar a qualquer preço o que julgavam ser essencial, que lhes satisfariam os desejos... a qualquer preço, mesmo que a ameaça fosse a morte.



Há pouco mais de seis mil anos esse episódio aconteceu, e ainda se repete no éden existencial de cada ser humano: a busca da felicidade até a morte. E essa busca passou a ser a religião da maior devoção humana.



E o que nos ensina Jesus?



Ele ensina que o Caminho da Felicidade anda na contramão da escolha adâmica.



Felicidade é contentamento, e contentamento em Deus.

Felicidade é conhecer Deus em amor, não em saber.

Felicidade é conhecer Deus como homem, ao contrário de Adão e Eva, que desejaram conhecer como Deus...

Felicidade é querer ser em Deus...

Felicidade é conhecer em Deus conforme a Palavra da Vida nos revelar o significado de todas as coisas, e sempre em humildade...

Felicidade é crer que se é amado por Deus!



A proposta do diabo para que sejamos felizes é futurística: "Como Deus sereis conhecedores do Bem e do Mal". Desse modo, a coisa a se conhecer, obter e possuir está sempre no futuro humano.



Para Jesus a felicidade é para o hoje, o agora: bem-aventurado são...

Bem-aventurados (felizes) são: os humildes de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os perseguidos por causa da justiça...



Assim, os felizes não se enriqueceram, não necessariamente prosperaram, não dominaram, não souberam de tudo, não impuseram sempre a justiça, embora sempre estivessem lutando por ela...




"Todavia, são felizes porque desejaram aprender e não saber;


quiseram sentir com o coração e não dominarcom


o conhecimento que controla;


ambicionaram ver Deus


e não conhecer como Deus; e sem questões aceitaram


todas as relatividades da existência, mesmo que


sofrendo injustiçs e perseguidos pelo capricho


da maldade experencial de Deus viver


em contentamento..."


Caio Fábio




Ademir, o menino da foto, tem uma doença crônica, ele e toda a sua família. A mãe já está quase cega, as irmãs pequenas nunca poderão ser mãe, o irmão de dois anos nunca aprenderá a andar e ele... com todos os músculos atrofiados viverá por pouco tempo. É um menino contente... alegre... não se intimida frente ao problema, procura se sentir tão normal quanto os demais...




Felicidade é contentamento!




Sejamos felizes...




Nele, em quem sou sempre feliz, ainda que não tenha tudo...


Vanessa


terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Brasil, olha pra cima!


Desde menina vislumbrava o movimento, as atividades, a magia que acontecia dentro das instituições educativas. Quando chegava em casa, depois de um dia exaustivo na escola, ainda encontrava entusiasmo para brincar de escolinha nos finais de tarde. Mamãe até pintou a parede da varanda de verde escolar. Passava horas a fio imitando gestos e atitudes de professores, quase todos muito autoritários – anos 80, tempo em que os resquícios da Ditadura Militar ainda assombravam o trabalho pedagógico na escola.


Agora, em pleno século XXI, atuo como pedagoga de escola pública, o que tem-me feito vislumbrar momentos significativos, apesar de todo o descaso governamental para com o ensino público. Momentos estes permeados de alegrias, frustrações, decepções, recompensas, cansaço, mas sem perder a luta e a confiança de que, por meio de ações singulares e, por vezes, solitárias, seria possível promover um trabalho pedagógico melhor.


Atuando no “chão da escola” lidando dia-a-dia com os problemas sociais, econômicos, psicológicos, culturais e morais de crianças e adolescentes, e com a difícil realidade dos professores (baixos salários, condições de trabalho nada ideais, desmotivação profissional), percebo cada vez mais o valor e a importância do pedagogo nas instituições educativas.


Descobri que o pedagogo tem outros caminhos a desbravar, outras estradas por trilhar, outra identidade a se conquistar. Reconheci que, além de mediar professores, professores e gestores, professores e alunos, este profissional também tem o papel de pensar a interdisciplinaridade enquanto processo de integração recíproca entre várias disciplinas e conhecimentos, o que requer de todos os profissionais da escola um esforço no rompimento de uma série de obstáculos ligados a uma racionalidade extremamente positivista da sociedade industrializada.


Ao pedagogo, exige-se esta postura mediadora, o qual não pode negar as especificidades e objetividades de cada campo do conhecimento, devendo ele detectar as áreas onde seja possível estabelecer as possíveis conexões do saber. Um grande desafio, permeado de paradoxos: ao mesmo tempo em que se exige do pedagogo uma visão ampliada frente ao paradigma pós-moderno, lhe falta condições materiais até para manusear um computador, pois os recursos financeiros destinados às escolas públicas são raros e quase sempre ínfimos.


Atuando nessas escolas periféricas pude perceber a necessidade de se existir profissionais com uma leitura de mundo mais crítica, mais reflexiva, mais humana frente a esse novo paradigma da modernidade, globalizado e excludente. Um paradigma que requer do pedagogo uma nova identidade, que não a de fiscalizar e cobrar posturas, nem o de cumprir “pacotes educacionais” encaixotados pelo neoliberalismo. Ao contrário, essas exigências perpassam por um perfil que alcance, transite e supere a modernidade junto à complexidade crescente, tanto das tarefas dos processos educacionais como das organizações responsáveis por eles – as escolas.


Por esta razão, penso que o pedagogo precisa entender que seu trabalho deve se ocupar dos processos educativos, dos métodos, das maneiras de ensinar mas, antes disso, precisa ter um significado bem mais amplo, bem mais globalizante. Seu trabalho deve estar inserido num campo de conhecimentos que esteja envolvido na problemática educativa na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, numa diretriz orientadora da ação educativa.


Atualmente trabalho como Supervisora Pedagógica e Orientadora Educacional numa escola periférica – Escola Municipal Professora Irene Monteiro Jorge – situada nos grandes bolsões de miséria da cidade de Uberlândia, nas proximidades do Presídio Prof. Jacy de Assis e do Centro Socioeducativo de Uberlândia, recentemente inaugurado, antigo Cisau. Lido diariamente com crianças e adolescentes que vivenciam a criminalidade, a violência, o tráfico de drogas, muitas filhos e filhas de presidiários ou ex-presidiários.


Sei da presença cada vez mais forte do tráfico na periferia, e que a realidade atual do crime organizado que se instala em regiões carentes exige de nós uma reflexão para entendermos seu significado. Se tivermos como pressuposto filosófico que crime é o que vai contra a condição humana, a sociedade já comete crime contra uma parcela da população com a injustiça social, que impõe a pobreza à maioria das pessoas.


E, talvez por isso, essas comunidades carentes, já cansadas de não receberem a proteção do Estado para as suas necessidades básicas de sobrevivência, tenham apelado para o poder do tráfico, que são organizações criminosas que funcionam como defesa social e fazem coisas que o Estado não faz. E a mídia conservadora e sensacionalista trata essas questões como uma simples explosão do Mal contra a sociedade do Bem.


Conviver nesse “arraial” de miséria com crianças e adolescentes e, mais especificamente, com suas famílias, as quais, em número significativo, são pais, mães, filhos, irmãos de sujeitos presos no presídio Prof. Jacy de Assis, meu permitiu “ver de “fora”, a partir das famílias dos apenados e, sobretudo a partir do ambiente social do qual tais pessoas em geral são oriundas, um “currículo” que é tecido pela via da prisão.


Um currículo que perpassa pelos discursos de um “mais Estado-penitenciário”, que impõe a essas famílias rituais de vida, aprendizagens, adaptações, introjeções e assimilações produzidos por um novo contexto de vida, ao ter um ente aprisionado. Um currículo que não pode ser compreendido apenas por um viés “pedagógico”, principalmente depois de conhecer um pouco de suas angústias, seus sofrimentos, o preconceito social que enfrentam e as preocupações em momentos de rebeliões, motins e morte.


Conhecer essas famílias pelo viés da escola tem-me levado a crer que o maior crime é o crime oficial e fardado! De fato, temos o Estado desinteressado, a Policia bandida atrás das fardas, o sistema penitenciário corrompido e perverso, e a mídia hipócrita e moralista, embora, muitos dos que cubram tais matérias jamais deixem de cheirar seu pó ou fumar seu baseado. Isto sem falar que os pobres não têm recursos para manter o tráfico, razão pela qual a classe média é a grande consumidora, ao mesmo tempo e hipocritamente quer "cheirar sem que feda".


Dessa forma, os mecanismos de sujeição dos grupos sociais mais pobres ao discurso de uma penalidade neoliberal têm sido fortemente incorporados pela escola, mesmo que inconscientemente.


Nessa perspectiva, penso que o pedagogo que lida com capacitação docente deve, necessariamente, ampliar seus conhecimentos, as visões de mundo, conhecer os contextos políticos, históricos, sociais, culturais e econômicos da contemporaneidade, respaldando-se cientificamente quanto às questões educacionais sob o aporte teórico da História e da Historiografia, da Sociologia e da Filosofia, pois sem capacitação profissional, sem reflexão, sem autonomia, sem um olhar desconfiado e sem amorosidade pelo que fazemos, não podemos purificar nenhum trabalho pedagógico de seus equívocos.


Brasil, olha pra cima...

Existe uma chance de ser novamente feliz, feliz!

Brasil, há uma esperança

Volta teus olhos pra Deus, Justo Juiz.

João Alexandre