sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

No princípio criou Deus os céus e a terra...?


... texto ofertado aos amigos teistas, deistas, ateistas, crentes, des-crentes, religiosos, ou não... em fim , seres humanos aos quais tenho que agradecer pela caminhada da vida...

Marcelo Fernandes

O princípio andrópico


A vida e a consciência pertencem ao universo, mais concretamente, à nossa galáxia, à Via-Láctea, ao sistema solar e ao planeta Terra. Para que tivessem surgido, foi preciso uma calibragem refinadíssima de todos os elementos, especialmente, das assim chamadas constantes da natureza (velocidade da luz, as quatro energias fundamentais, a carga dos elétrons, as radiações atômicas, a curvatura do espaço-tempo entre outras). Se assim não fosse não estaríamos aqui escrevendo sobre isso. Refiro apenas um dado do último livro do astrofísico Stephen Hawing "Uma nova história do tempo"(2005):"Se a carga elétrica do elétron tivesse sido ligeiramente diferente, teria rompido o equilíbrio da força eletromagnética e gravitacional nas estrelas e, ou elas teriam sido incapazes de queimar o hidrogênio e o hélio, ou então não teriam explodido. De uma maneira ou de outra a vida não poderia existir"(p.120). A vida pertence,pois, ao quadro geral.


Para conferir alguma compreensão a esta refinada combinação de fatores se criou a expressão "princípio andrópico" (que tem a ver com o homem). Por ele se procura responder a esta pergunta que naturalmente colocamos: por que as coisas são como são? A resposta só pode ser: se fosse diferente nós não estaríamos aqui. Respondendo assim não cairíamos no famoso antropocentrismo que afirma: as coisas só têm sentido quando ordenadas ao ser humano, feito centro de tudo, rei e rainha do universo?


Há esse risco. Por isso os cosmólogos distinguem o princípio andrópico forte e fraco. O forte diz: as condições iniciais e as constantes cosmológicas se organizaram de tal forma que, num dado momento da evolução, a vida e a inteligência deveriam necessariamente surgir. Esta compreensão favoreceria a centralidade do ser humano.


O princípio andrópico fraco é mais cauteloso e afirma: as precondições iniciais e cosmológicas se articularam de tal forma que a vida e a inteligência poderiam surgir. Essa formulação deixa aberto o caminho da evolução que demais a mais é regida pelo princípio da indeterminação de Heisenberg e pela autopoiesis de Maturana-Varela.


Mas olhando para trás, nos bilhões de anos, constatamos que de fato assim ocorreu: há 3,8 bilhões de anos surgiu a vida e há uns quatro milhões de anos, a inteligência. Nisso não vai uma defesa do "desenho inteligente" ou da mão da Providência divina. Apenas que o universo não é absurdo. Ele vem carregado de propósito. Há uma seta do tempo apontando para frente.


Cabe ainda considerar que o cosmos está em gênese, se autoconstruindo. Cada ser mostra uma propensão inata a irromper, crescer e irradiar. O ser humano também. Apareceu no cenário quando 99,96% de tudo já estava pronto. Ele é expressão do impulso cósmico para formas mais complexas e altas de existência.


Alguns aventam a idéia: mas não seria tudo puro acaso? O acaso existe como mostrou Jacques Monod. Mas ele não explica tudo. Bioquímicos comprovaram que para os aminoácidos e as duas mil enzimas subjacentes à vida pudessem se aproximar, constituir uma cadeia ordenada e formar uma célula viva seriam necessários trilhões e trilhões de anos.


Portanto mais tempo do que o universo e a Terra possuem. Talvez o recurso ao acaso mostre apenas nossa incapacidade de entender ordens superiores e extremamente complexas como a consciência, a inteligência, o afeto e o amor. Não seria melhor calarmos reverentes e respeitosos?
Leonardo Boff

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Jesus morreu para salvar o Cristianismo?


O surgimento da Igreja é descrito em Atos 2. Cinqüenta dias após a ressurreição de Jesus, o Espírito Santo veio sobre os cristãos na Festa de Pentecostes, dotando-os de dons e capacitando-os para o serviço do Reino.


Isso significava que, a partir daquele momento, os cristãos seriam os “mensageiros” da boa-nova e a própria habitação do Espírito Santo.
A narrativa que nos é apresentada sobre essas pessoas cristãs revela como viviam:

"perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão, nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de cada em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos (Atos 2:42-27).

Que diferença dos “vaticanos” atuais”! Quando refletimos sobre a singeleza da Igreja primitiva, percebemos como a instituição religiosa que a intitularam de “Igreja” em nada se parece com a Igreja Invisível de Cristo. Isto porque a Igreja-instituição surge no quarto século, com Constantino, cuja religião passa a ser o Cristianismo.


Quando os líderes do Império Romano percebem que os cristãos passam a ser uma ameaça para a manutenção do poder, oficializam o Cristianismo como religião do Império e passam a perseguir todos aqueles que não se consideram “cristãos”. Ou seja, no jogo do poder, na ordem das “conveniências”, muda-se o destino, a rota, a fim de que se mantenham as relações entre os que mandam e os que obedecem, num ciclo de subserviência que ainda, nos dias atuais, continuamos a presenciar!


Assim, o Cristianismo já nasceu sob o signo da perversão, na contramão da Igreja Primitiva. Não foi Cristo quem fundou o Cristianismo e nem qualquer outra religião. Jesus não deu a sua vida pra salvar o cristianismo e nenhuma outra religião da Terra., pois Ele é Senhor e Salvador de todos os homens, e não dos filhos do Cristianismo.


Nesse sentido, o convite feito a todos os que participaram do Fórum foi para que voltássemos nossos olhos para a origem dos ensinos de Cristo, entendendo o que Ele desejou quando implantou em cada um de nós a Sua Igreja.


Crescer em entendimento e experiência da Graça de Deus na presente existência, confrontando o que é religião, invenção humana, artimanha de poder com o Evangelho-Cristo requer um coração limpo, purificado, tendo o discernimento de saber o que convém e o que edifica. Isto porque sabemos que quem, de fato e de verdade, entendeu o evangelho e seu significado, sabe que o Cristianismo se tornou uma perversão da proposta de Cristo transformando o Evangelho puro e simples numa religião com dogmas, doutrinas, usos, costumes, tradições com poder de imutabilidade e muita barganha com os homens, em franca e pagã manipulação do nome de Deus.


Atender ao chamado de Cristo para que sejamos seres-sal-e-luz se espalhando pela Terra, e se diluindo em sabores e luzes que só serão sentidas, mas jamais se tornando uma Salina ou uma Usina de luz cristã, a serem visitadas pelos curiosos, é o que desejamos como Igreja.


Este é o convite de Deus para que cresçamos como gente ainda nessa vida!
Você vem?
Beijo a todos, com muito amor,
Nele, que é o Caminho em movimento nos caminhos da existência,
Vanessa

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Um elogio ao ócio


Nesses últimos cinco dias estive em família descansando á beira da represa, curtindo o sol, o vento, a natureza...

Tomei água de coco, dormi na rede, nadei...


Contemplei muito a natureza e fiz do meditar do meu coração momentos de oração e gratidão...


Aproveitei também o tempo para ficar abraçadinha com o marido, aproveitar da presença um do outro... contemplar os filhos brincando de barro, fazendo gracinhas, escancarando uma felicidade que há tempos na via...


Foram dias que devem um elogio ao ócio...


Elogio ao ócio?


Sim, surpreendente, mas verdadeiramente necessário. Sempre pensamos nele como algo pejorativo. Isto porque na sociedade atual não há espaço para ao tempo livre. Cada vez mais ocupamos nosso dia com curso, esportes, eventos e, logicamente, trabalho.


Nosso modelo cultural compreende o trabalho como um valor acima de todos os outros. Sendo assim, quem produz e mostra frutos dessa produção é valorizado perante os demais cidadãos. Por isso, o tempo livre, ou ócio, é definitivamente relegado a um plano longe das prioridades dos habitantes do mundo moderno.


Na Grécia antiga, ócio estava voltado a um conhecer e ao projeto de conhecimento de um modo geral; um voltar-se para si mesmo e conhecer o que está ao nosso redor. Isso continuou a ser valorizado também na Idade Média, como meio de se chegar a Deus.

Sócrates foi a “encarnação” do ócio, pois seu estilo de vida fez com que ele só problematizasse idéias, mas nunca criou um sistema filosófico... apenas formulava questionamentos.

Os romanos também retomam a idéia de que o ócio é fundamental para a saúde física e intelectual do ser humano, como parte da tradição helênica adotada pela nova civilização que florescia em vigor.

Com o Renascimento, o trabalho passa a ser valorizado, já que este é o momento do reflorescimento dos centros urbanos, o nascimento da burguesia e dos pequenos negócios. O ócio passa a ser traduzido em forma de festas.

Nietzsche será um dos grandes filósofos que irá criticar o homem moderno e a sua compulsão pelo trabalho – e a ojetiza por parte deste pelo ócio e tempo livre na mesma proporção. Para ele, “a infelicidade dos homens ativos é que sua atividade é quase sempre um pouco irracional. Não se pode perguntar ao banqueiro acumulador de dinheiro, por exemplo, pelo objetivo de sua atividade incessante; ela é irracional.

E acrescenta: “os homens ativos rolam como pedra, conforme a estupidez da mecânica..., aquele que não tem dois terços do dia para si, é escravo, não importa o que seja: estadista, comerciante, funcionário ou erudito”.

Russel será outro filósofo defensor do ócio, o qual, para ele, não deveria ser confundido com o pior sentido de preguiça e inação, mas “concebido como tempo de cultivo espiritual, de preparação para o conhecimento, as artes e a política...”.

Na Bíblia, lemos o relato da criação, em que se sugere uma concepção do ócio semelhante à senequiana, como meio propício para o ato contemplativo que precede a ação, e que depois a completa, num olhar admirador. No livro do Gênesis, as origens do universo e do homem se antecedem pela presença do Espírito de Deus que “pairava sobre as águas” (Gn 1, 2). Essa sugestão do ócio divino, no engendramento do ato criador, irá sempre se seguir da ação fecunda e boa.

O texto bíblico conclui o relato da criação - intensamente pedagógico para o povo hebreu - tratando do descanso do Criador, como que numa consagração do ócio, ao apresentá-lo como necessário e útil à vida humana: A partir desse relato, o judaísmo instituiu a lei do repouso sabático obrigatório, guardado como verdadeira festa semanal, sinal da aliança entre Deus e seu povo.

Jesus modifica o conceito errôneo do repouso sabático imposto pelos fariseus, ao revolucionar o Torah, a Lei, colocando a primazia do amor a Deus e ao próximo sobre a própria imposição do sábado apenas como lei... Assim, defendeu sempre a supremacia do homem sobre a lei fria e exterior, que escravizava: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”; e completa: “o Filho do homem é senhor até do sábado” (Mc 2, 27-28).

Na verdade, Jesus falava com a autoridade de quem experimentara - e por isso o defendia -- tanto o contemplar como o agir. Não são poucas as páginas bíblicas que o mostram em momentos de “ociosidade”, em profunda e solitária intimidade com o Pai, antes e depois de agir em favor do próximo, ao mesmo tempo que se dedicava com tal zelo a essa causa, a ponto de não ter uma pedra onde repousar a cabeça.

Censurado por curar um paralítico em dia de sábado, o próprio Jesus recrimina o apego farisaico a uma lei que apregoava a imitação de um Deus preguiçoso que dormia no sábado, enquanto os homens o reclamavam. Por isso, defende, categórico, a sua “desobediência” à lei do sábado, afirmando: “Meu pai trabalha sempre e eu também trabalho” (Jo 5: 17).

Ainda no Evangelho, encontramos a idéia do ócio defendida por Jesus, no episódio na Betânia, em que ele defende a atitude de escuta ociosa de Maria aos seus ensinamentos, como “a melhor parte”, preferível à atitude de Marta, laboriosa e atenta aos serviços domésticos (cf. Lc 10, 38-42).

Na visão bíblica, o ócio revela pessoas contemplativas por opção de vida, mas intensamente ativas em sua obra de dedicação à causa evangélica, ao amor ao próximo.

Mas, não nos enganemos...

Nossa sociedade concebe um deus do sucesso, sempre e a qualquer preço. Nele ninguém descansa, porque nele ninguém confia. Fruto disso, é essa nossa alegria, toda circunstancial e baseada no “concreto” – E só construímos concretudes no “concreto”. Abstrações e subjetividades existenciais estão fora de moda – até a “igreja” debocha dessas ênfases, pois sobre o “concreto” erguemos o que chamamos “Vida”. Ou seja, a gente não consegue construir nada se não enxergar os tijolos.

E aí a vida vira isso que a nossa vida é: Para cima! Avante! Produção! Concreto! Sem parar! Tijolos! E nada fica mais concreto que a insaciedade que nos habita e infelicita desde Babel. E Babel ainda habita em nós como síndrome: Quanto mais alto, melhor!

Também não nos enganemos...
Em nosso país, como nos demais subdesenvolvidos, a remuneração é muito baixa, e por isso é preciso trabalhar mais para sustentar a família e suprir as necessidades básicas. Pois uma coisa é utilizar-se do trabalho para ganhar mais... outra coisa é ter que trabalhar mais para suprir tais necessidades.

E, com certeza, quem precisa sustentar a casa com a labuta de cada dia, terá menos possibilidade de um bom ócio.

No entanto, para ricos e pobres, famintos e saciados, há um convite de Deus ao ócio. Náo ao ócio simplesmente preguiçoso, que só serve para esvaziar nossa mente das coisas que realmente edificam e nos engrancedem ... mas ao ócio contemplativo...

Seja criativo, aproveite melhor o seu tempo e confie mais no Deus que instituiu o descanso, que nos ordenou a não andar ansiosos por cousa alguma e que defendeu tanto o agir quanto o contemplar...

Grande beijo,
Vanessa

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Deus não faz acepção de pessoas


O paradigma de conduta, de vida, de amorosidade, de solidariedade, explícitas em Jesus, “fere” os modelos eclesiásticos dos tempos atuais, que em nada têm de Evangelho, pois não carregam a mensagem da cruz.

Jesus a tudo tratou com simplicidade, e desprezou o que a filosofia e a teologia tratam com avidez.

Palavras e discursos nunca fizeram parte da vida de Cristo, posto que, para Ele, qualquer projeto político, bandeira de luta, manifesto ou coisa semelhante, sem a pureza das ações e da compaixão ao próximo, não passavam de especulações vazias.

Assim, por meio de suas ações, denunciou a corrupção do coração e os estragos conseqüentes do poder da hipocrisia e do desamor.

Por esta razão, a forma como Jesus tratou os excluídos da história, os excluídos da vida, revela Quem Ele É! E tudo o que disse e se mostrou ser nunca foi teologizado, apenas relacionado ao que se tem que ser e fazer.

É por isso que os cegos, os coxos, os leprosos, os publicanos, os cobradores de impostos, os doentes, os empobrecidos, os famintos, os pequeninos, as adúlteras, as prostitutas, os ladrões, sempre tiveram “menção” especial nas Escrituras para que se revelasse, em nós, a dureza, o preconceito, a indiferença e a falta de amor...

E a pergunta que deixo é: será que temos nos disposto a ir, sem preconceito, mas de pureza de alma, falar do amor de Deus a esses, que apesar de excluídos, são também objetos do Seu amor?

Deus é livre para amar a quem deseja, mesmo que isso vá contra todas as opiniões humanas, contra toda a ética e a moral cristã ...

Um beijo, Nele, que amou a todos e não fez acepção de quem quer que fosse...

sábado, 12 de janeiro de 2008

De Adriel para Luciana: uma linda história de amor...


Há tanto tempo que eu deixei você

Fui chorando de saudade

Mesmo longe não me conformei

Pode crer, eu viajei contra a vontade

O teu amor chamou e eu regressei

Todo amor é infinito

Noite e dia no meu coração

Trouxe a luz do nosso instante mais bonito

Na escuridão o teu olhar me iluminava

E minha estrela guia era o teu riso

Coisas do passado são alegres quando lembram

Novamente as pessoas que se amam...

Em cada solidão vencida eu desejava

O reencontro com teu corpo abrigo

Ah! Minha adorada, viajei tantos espaços

Pra você caber assim no meu abraço

Te amo...

Há tanto tempo que eu deixei você

Fui chorando de saudade...

Uh! Na escuridão o teu olhar me iluminava

E minha estrela guia era o teu riso

Coisas do passado são alegres quando lembram

Novamente as pessoas que se amam

Em cada solidão vencida eu desejava

O reencontro com teu corpo abrigo

Ah! Minha adorada, viajei tantos espaços

Pra você caber assim no meu abraço (uh-uh)

Ah! Minha adorada, viajei tantos espaços

Pra você caber assim no meu abraço

Te amo, te amo...
Música: A Viagem/Roupa Nova


Essa é a linda história de amor de Adriel e Luciana, depois de sete anos de namoro, três de casados, muitos de separação...

Ele foi pra Flórida e, depois de alguns anos...

Casam-se novamente...

Hoje vivem na Flórida /Boca Raton/ EUA.


Todo amor é infinito...

O amor tudo sofre, tudo crê, tudo suporta...

O amor perdoa...

O amor jamais acaba...


Que vocês vivam eternamente juntos e felizes!

Um beijo no coração, minha mana e meu cunhado queridos...

Vanessa

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Mulher virtuosa, quem a achará?



Hoje estava lendo um artigo na revista Filosofia intitulado: Teologia Feminista: uma expressão da contracultura na religião”.

Em um dos parágrafos a autora diz:

“Nós, mulheres, somos socializadas com base
na figura masculina de Deus e mais, de um
ideal ou de uma essência que esta figura
estabeleceu para as mulheres. Trata-se aqui de uma
perspectiva essencialista, a partir da qual devemos
corresponder ao modelo de mulher que a religião
nos oferece.(...) Reafirmar a subjetividade feminina
na cultura e na religião partindo de outros referenciais
é abrir espaços para uma consideração igualitária
de nossa produção de valores e símbolos públicos”.

E mais adiante ela conclui:

“Considerar os textos bíblicos como Palavra revelada
por um Deus androcêntrico é considerar a
complexidade e a realidade humana de forma insuficiente”.


Quando leio esses artigos encabeçados pelo movimento feminista que ganhou grande força e amplitude a partir dos anos 60, no Brasil, reconheço o esforço dessas mulheres em se colocar em “pé de igualdade”com os homens.
Mulheres corajosas, que enfrentaram os rumos “machistas”da sociedade para que tivéssemos a autonomia, a emancipação e a história contada por outro viés.

No entanto, o que me entristece é pensar que tais mulheres não conheceram a Deus, nem tampouco o doce propósito Dele para cada uma delas...

A interpretação bíblica, convenientemente machista, fez com que muitas mulheres se afastassem de Deus e reivindicassem o que, de antemão, já havia sido garantido por Deus a elas, antes da fundação do mundo: Seu amor incondicional, o qual náo nos trata como homens ou mulheres, mas, simplesmente, como seus filhos...

A Mulher Virtuosa de provérbios 31, por exemplo, não precisou de nenhuma “feminista” para garantir-lhe emancipação e reconhecimento social. Ela não é nenhuma novidade como ser “executivo”, pois desde sua época já possuía capacidade de “empreender”, de prover e de exercer autonomamente o seu trabalho, sem dar explicações.

Há milhares de mulheres empreendedoras entre nós.

Assim como a mulher de provérbios 31, elas trabalham em muitos lugares. Algumas lavam roupa e sustentam a casa. Outras chegam até a serem “Presidentes”. Elas sabem cuidar de dois mundos tão díspares: o da casa e do trabalho—sem falar na gestão familiar e nos amigos.

Elas, na maior parte das vezes, conseguem dar conta de todos os mundos. Vão bem da cozinha ao trabalho. E no caminho ainda fazem mil outras provisões familiares.

No entanto, sua mais preciosa virtude é que "aquela mulher" faz aquilo tudo, tem toda aquela liberdade de movimento, faz sua própria agenda, lida com homens mercadores, compra, vende, prospera, dá conta da casa e dos filhos, e trabalha até a noite—mas nada disso aproveita sem a declaraçao de que "a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada".

E quem dá testemunho disso são seus próprios filhos e seu marido...

Levantam-se seus filhos, e lhe chamam bem-aventurada,
como também seu marido, que a louva, dizendo:
Muitas mulheres têm procedido virtuosamente,
mas tu a todas sobrepujas.
É aí que está sua grande virtude. Não está no que ela faz; está em quem ela é! Ela reúne charme, beleza, criatividade, capacidade produtiva, coragem para empreender, e generosidade com os pobres mas, acima de tudo, um grande temor a Deus...

Charme, Criatividade e Caráter!

Assim, posso dizer que a mulher de hoje reivindica liberdade, mas a confunde com libertinagem..
Escolhe a sedução ao invés da sabedoria.
Reivindica direitos iguais, mas, todavia, precisa ainda aprender a exercer sua liberdade sem o referencial machista, que é o feminismo.

E ela... teme ao Senhor!

Quando isto acontece, surge um ser grandioso, lindo, insuplantável.

De fato, como diz Paulo, surge aquela que é a “glória do homem”: a mulher! E se vejo bem, glória é expressão do melhor. Assim, o melhor do “homem” aparece na plenitude da verdadeira mulher!

Que nós, mulheres, sejamos mulheres tementes a Deus...
Mulheres virtuosas, de cama e mesa, e, se possível, com babados e rendas... com o toque feminino, sem o poder contaminado do feminismo... pois todos os “ismos” são invenções humanas, e já nascem corrompidos...

Que sejamos sensatas, honestas, livres no pensar...

Mulher virtuosa ...

Que teme a Deus e sabe que Ele a fez com propósito diferente, mas nem por isso subserviente ao homem...

Aquela que serve seu marido, mas sempre fica do tamanho dele...

Que é servida, mas sempre recebe isto com prazer;

Que se sente tão dona do seu marido quando ele se sente dono dela...

Que, juntos, conversam sobre as mais gulosas alegrias dos corpos deles, quando se libertam no encontro de amor...

Um beijo a todos, e em especial, a todas as mulheres virtuosas...
E a vocë, Sheilinha... todo o meu carinho e admiraçao por ser uma grande mulher virtuosa...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Liberte a criança que existe em você!






A criança, a infância, a adolescência, a fase pueril, “inocente”, nem sempre foram vistas com o mesmo olhar de hoje. A velha sociedade tradicional via mal a criança, e pior ainda o adolescente.

A duração da infância era reduzida a seu período mais frágil. De criancinha pequena ela se transformava imediatamente em homem jovem, sem passar pelas etapas da juventude, que talvez fossem praticadas antes da Idade Média e que se tornavam aspectos essenciais das sociedades evoluídas hoje.

A transmissão dos valores e dos conhecimentos, e de modo mais geral, a socialização da criança, não eram, portanto, nem asseguradas nem controladas pela família. A criança se afastava logo de seus pais, e pode-se dizer que durante séculos a evolução foi garantida pela aprendizagem, graças à convivência da criança ou do jovem com os adultos. A criança aprendia as coisas que devia saber ajudando os adultos a fazê-las.

A passagem da criança pela família e pela sociedade era muito breve e muito insignificante para que tivesse tempo ou razão de forçar a memória e tocar a sensibilidade.

Na sociedade moderna, a escola substituiu a aprendizagem como meio de educação. A criança passa a ser separada dos adultos e mantida a distância numa espécie de quarentena, antes de ser solta no mundo. Essa quarentena foi a escola. E assim começa um longo processo de enclausuramento das crianças (como dos loucos, dos pobres, das prostitutas, dos ladrões), que se estenderá até nossos dias, e ao qual se dá o nome de escolarização.


E hoje, em pleno século XXI, assistimos a uma revolução pedagógica responsável pela formação do imaginário que, segundo Franco Cambi, “ não passa mais pelo mundo familiar ou das culturas locais, a não ser uma escassa parte, mas, antes, é dominada pela televisão (...), e agindo sobre o imaginário, penetra com seu alimento e seu veneno em toda a personalidade infantil, adolescente e juvenil (sobretudo), (...) regulando modas, consumos, modelos e comportamento”.

As crianças têm sofrido muito, pois muito mais que um enclausuramento pelo viés da família e da escola, nossas crianças têm sido expostas a um “enclausuramento simbólico” que exige de nós uma grande responsabilidade frente a elas.

Jesus é o pedagogo por excelência, e conferiu respeito, valor, dignidade aos pequeninos quando afirmou em Mateus 21:16 que o perfeito louvor vinha da boca dos pequeninos”. Jesus envolveu-se com crianças curando, abençoando, providenciando alimento, libertando, impondo as mãos. No seu envolvimento com crianças, Jesus as incluiu em 7 milagres, 3 parábolas e 8 ensinos.

Quando Jesus estava com Seus discípulos, estes lhe perguntaram quem era o maior no reino dos céus. Ele tomou uma criança, colocou-a no meio deles e disse-lhes que aquele que não se tornasse como uma criança não entraria no reino dos céus, mas aquele que tivesse um coração humilde como o de uma criança, esse seria o maior no reino dos céus.

E disse mais: Qualquer que fizer tropeçar a um desses pequeninos, melhor seria que atasse uma pedra de moinho ao pescoço e fosse afogado nas profundezas do mar (Mt 18:1-7).

Que grande tarefa!
Cuidar bem dos pequeninos e aprender com eles.

Em verdade vos digo que quem não receber o reino de Deus como criança, de maneira nenhuma entrará nele” .

Que possamos libertar a criança que existe em nós!

Grande beijo,
Vanessa