sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Um elogio ao ócio


Nesses últimos cinco dias estive em família descansando á beira da represa, curtindo o sol, o vento, a natureza...

Tomei água de coco, dormi na rede, nadei...


Contemplei muito a natureza e fiz do meditar do meu coração momentos de oração e gratidão...


Aproveitei também o tempo para ficar abraçadinha com o marido, aproveitar da presença um do outro... contemplar os filhos brincando de barro, fazendo gracinhas, escancarando uma felicidade que há tempos na via...


Foram dias que devem um elogio ao ócio...


Elogio ao ócio?


Sim, surpreendente, mas verdadeiramente necessário. Sempre pensamos nele como algo pejorativo. Isto porque na sociedade atual não há espaço para ao tempo livre. Cada vez mais ocupamos nosso dia com curso, esportes, eventos e, logicamente, trabalho.


Nosso modelo cultural compreende o trabalho como um valor acima de todos os outros. Sendo assim, quem produz e mostra frutos dessa produção é valorizado perante os demais cidadãos. Por isso, o tempo livre, ou ócio, é definitivamente relegado a um plano longe das prioridades dos habitantes do mundo moderno.


Na Grécia antiga, ócio estava voltado a um conhecer e ao projeto de conhecimento de um modo geral; um voltar-se para si mesmo e conhecer o que está ao nosso redor. Isso continuou a ser valorizado também na Idade Média, como meio de se chegar a Deus.

Sócrates foi a “encarnação” do ócio, pois seu estilo de vida fez com que ele só problematizasse idéias, mas nunca criou um sistema filosófico... apenas formulava questionamentos.

Os romanos também retomam a idéia de que o ócio é fundamental para a saúde física e intelectual do ser humano, como parte da tradição helênica adotada pela nova civilização que florescia em vigor.

Com o Renascimento, o trabalho passa a ser valorizado, já que este é o momento do reflorescimento dos centros urbanos, o nascimento da burguesia e dos pequenos negócios. O ócio passa a ser traduzido em forma de festas.

Nietzsche será um dos grandes filósofos que irá criticar o homem moderno e a sua compulsão pelo trabalho – e a ojetiza por parte deste pelo ócio e tempo livre na mesma proporção. Para ele, “a infelicidade dos homens ativos é que sua atividade é quase sempre um pouco irracional. Não se pode perguntar ao banqueiro acumulador de dinheiro, por exemplo, pelo objetivo de sua atividade incessante; ela é irracional.

E acrescenta: “os homens ativos rolam como pedra, conforme a estupidez da mecânica..., aquele que não tem dois terços do dia para si, é escravo, não importa o que seja: estadista, comerciante, funcionário ou erudito”.

Russel será outro filósofo defensor do ócio, o qual, para ele, não deveria ser confundido com o pior sentido de preguiça e inação, mas “concebido como tempo de cultivo espiritual, de preparação para o conhecimento, as artes e a política...”.

Na Bíblia, lemos o relato da criação, em que se sugere uma concepção do ócio semelhante à senequiana, como meio propício para o ato contemplativo que precede a ação, e que depois a completa, num olhar admirador. No livro do Gênesis, as origens do universo e do homem se antecedem pela presença do Espírito de Deus que “pairava sobre as águas” (Gn 1, 2). Essa sugestão do ócio divino, no engendramento do ato criador, irá sempre se seguir da ação fecunda e boa.

O texto bíblico conclui o relato da criação - intensamente pedagógico para o povo hebreu - tratando do descanso do Criador, como que numa consagração do ócio, ao apresentá-lo como necessário e útil à vida humana: A partir desse relato, o judaísmo instituiu a lei do repouso sabático obrigatório, guardado como verdadeira festa semanal, sinal da aliança entre Deus e seu povo.

Jesus modifica o conceito errôneo do repouso sabático imposto pelos fariseus, ao revolucionar o Torah, a Lei, colocando a primazia do amor a Deus e ao próximo sobre a própria imposição do sábado apenas como lei... Assim, defendeu sempre a supremacia do homem sobre a lei fria e exterior, que escravizava: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”; e completa: “o Filho do homem é senhor até do sábado” (Mc 2, 27-28).

Na verdade, Jesus falava com a autoridade de quem experimentara - e por isso o defendia -- tanto o contemplar como o agir. Não são poucas as páginas bíblicas que o mostram em momentos de “ociosidade”, em profunda e solitária intimidade com o Pai, antes e depois de agir em favor do próximo, ao mesmo tempo que se dedicava com tal zelo a essa causa, a ponto de não ter uma pedra onde repousar a cabeça.

Censurado por curar um paralítico em dia de sábado, o próprio Jesus recrimina o apego farisaico a uma lei que apregoava a imitação de um Deus preguiçoso que dormia no sábado, enquanto os homens o reclamavam. Por isso, defende, categórico, a sua “desobediência” à lei do sábado, afirmando: “Meu pai trabalha sempre e eu também trabalho” (Jo 5: 17).

Ainda no Evangelho, encontramos a idéia do ócio defendida por Jesus, no episódio na Betânia, em que ele defende a atitude de escuta ociosa de Maria aos seus ensinamentos, como “a melhor parte”, preferível à atitude de Marta, laboriosa e atenta aos serviços domésticos (cf. Lc 10, 38-42).

Na visão bíblica, o ócio revela pessoas contemplativas por opção de vida, mas intensamente ativas em sua obra de dedicação à causa evangélica, ao amor ao próximo.

Mas, não nos enganemos...

Nossa sociedade concebe um deus do sucesso, sempre e a qualquer preço. Nele ninguém descansa, porque nele ninguém confia. Fruto disso, é essa nossa alegria, toda circunstancial e baseada no “concreto” – E só construímos concretudes no “concreto”. Abstrações e subjetividades existenciais estão fora de moda – até a “igreja” debocha dessas ênfases, pois sobre o “concreto” erguemos o que chamamos “Vida”. Ou seja, a gente não consegue construir nada se não enxergar os tijolos.

E aí a vida vira isso que a nossa vida é: Para cima! Avante! Produção! Concreto! Sem parar! Tijolos! E nada fica mais concreto que a insaciedade que nos habita e infelicita desde Babel. E Babel ainda habita em nós como síndrome: Quanto mais alto, melhor!

Também não nos enganemos...
Em nosso país, como nos demais subdesenvolvidos, a remuneração é muito baixa, e por isso é preciso trabalhar mais para sustentar a família e suprir as necessidades básicas. Pois uma coisa é utilizar-se do trabalho para ganhar mais... outra coisa é ter que trabalhar mais para suprir tais necessidades.

E, com certeza, quem precisa sustentar a casa com a labuta de cada dia, terá menos possibilidade de um bom ócio.

No entanto, para ricos e pobres, famintos e saciados, há um convite de Deus ao ócio. Náo ao ócio simplesmente preguiçoso, que só serve para esvaziar nossa mente das coisas que realmente edificam e nos engrancedem ... mas ao ócio contemplativo...

Seja criativo, aproveite melhor o seu tempo e confie mais no Deus que instituiu o descanso, que nos ordenou a não andar ansiosos por cousa alguma e que defendeu tanto o agir quanto o contemplar...

Grande beijo,
Vanessa

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Deus não faz acepção de pessoas


O paradigma de conduta, de vida, de amorosidade, de solidariedade, explícitas em Jesus, “fere” os modelos eclesiásticos dos tempos atuais, que em nada têm de Evangelho, pois não carregam a mensagem da cruz.

Jesus a tudo tratou com simplicidade, e desprezou o que a filosofia e a teologia tratam com avidez.

Palavras e discursos nunca fizeram parte da vida de Cristo, posto que, para Ele, qualquer projeto político, bandeira de luta, manifesto ou coisa semelhante, sem a pureza das ações e da compaixão ao próximo, não passavam de especulações vazias.

Assim, por meio de suas ações, denunciou a corrupção do coração e os estragos conseqüentes do poder da hipocrisia e do desamor.

Por esta razão, a forma como Jesus tratou os excluídos da história, os excluídos da vida, revela Quem Ele É! E tudo o que disse e se mostrou ser nunca foi teologizado, apenas relacionado ao que se tem que ser e fazer.

É por isso que os cegos, os coxos, os leprosos, os publicanos, os cobradores de impostos, os doentes, os empobrecidos, os famintos, os pequeninos, as adúlteras, as prostitutas, os ladrões, sempre tiveram “menção” especial nas Escrituras para que se revelasse, em nós, a dureza, o preconceito, a indiferença e a falta de amor...

E a pergunta que deixo é: será que temos nos disposto a ir, sem preconceito, mas de pureza de alma, falar do amor de Deus a esses, que apesar de excluídos, são também objetos do Seu amor?

Deus é livre para amar a quem deseja, mesmo que isso vá contra todas as opiniões humanas, contra toda a ética e a moral cristã ...

Um beijo, Nele, que amou a todos e não fez acepção de quem quer que fosse...

sábado, 12 de janeiro de 2008

De Adriel para Luciana: uma linda história de amor...


Há tanto tempo que eu deixei você

Fui chorando de saudade

Mesmo longe não me conformei

Pode crer, eu viajei contra a vontade

O teu amor chamou e eu regressei

Todo amor é infinito

Noite e dia no meu coração

Trouxe a luz do nosso instante mais bonito

Na escuridão o teu olhar me iluminava

E minha estrela guia era o teu riso

Coisas do passado são alegres quando lembram

Novamente as pessoas que se amam...

Em cada solidão vencida eu desejava

O reencontro com teu corpo abrigo

Ah! Minha adorada, viajei tantos espaços

Pra você caber assim no meu abraço

Te amo...

Há tanto tempo que eu deixei você

Fui chorando de saudade...

Uh! Na escuridão o teu olhar me iluminava

E minha estrela guia era o teu riso

Coisas do passado são alegres quando lembram

Novamente as pessoas que se amam

Em cada solidão vencida eu desejava

O reencontro com teu corpo abrigo

Ah! Minha adorada, viajei tantos espaços

Pra você caber assim no meu abraço (uh-uh)

Ah! Minha adorada, viajei tantos espaços

Pra você caber assim no meu abraço

Te amo, te amo...
Música: A Viagem/Roupa Nova


Essa é a linda história de amor de Adriel e Luciana, depois de sete anos de namoro, três de casados, muitos de separação...

Ele foi pra Flórida e, depois de alguns anos...

Casam-se novamente...

Hoje vivem na Flórida /Boca Raton/ EUA.


Todo amor é infinito...

O amor tudo sofre, tudo crê, tudo suporta...

O amor perdoa...

O amor jamais acaba...


Que vocês vivam eternamente juntos e felizes!

Um beijo no coração, minha mana e meu cunhado queridos...

Vanessa

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Mulher virtuosa, quem a achará?



Hoje estava lendo um artigo na revista Filosofia intitulado: Teologia Feminista: uma expressão da contracultura na religião”.

Em um dos parágrafos a autora diz:

“Nós, mulheres, somos socializadas com base
na figura masculina de Deus e mais, de um
ideal ou de uma essência que esta figura
estabeleceu para as mulheres. Trata-se aqui de uma
perspectiva essencialista, a partir da qual devemos
corresponder ao modelo de mulher que a religião
nos oferece.(...) Reafirmar a subjetividade feminina
na cultura e na religião partindo de outros referenciais
é abrir espaços para uma consideração igualitária
de nossa produção de valores e símbolos públicos”.

E mais adiante ela conclui:

“Considerar os textos bíblicos como Palavra revelada
por um Deus androcêntrico é considerar a
complexidade e a realidade humana de forma insuficiente”.


Quando leio esses artigos encabeçados pelo movimento feminista que ganhou grande força e amplitude a partir dos anos 60, no Brasil, reconheço o esforço dessas mulheres em se colocar em “pé de igualdade”com os homens.
Mulheres corajosas, que enfrentaram os rumos “machistas”da sociedade para que tivéssemos a autonomia, a emancipação e a história contada por outro viés.

No entanto, o que me entristece é pensar que tais mulheres não conheceram a Deus, nem tampouco o doce propósito Dele para cada uma delas...

A interpretação bíblica, convenientemente machista, fez com que muitas mulheres se afastassem de Deus e reivindicassem o que, de antemão, já havia sido garantido por Deus a elas, antes da fundação do mundo: Seu amor incondicional, o qual náo nos trata como homens ou mulheres, mas, simplesmente, como seus filhos...

A Mulher Virtuosa de provérbios 31, por exemplo, não precisou de nenhuma “feminista” para garantir-lhe emancipação e reconhecimento social. Ela não é nenhuma novidade como ser “executivo”, pois desde sua época já possuía capacidade de “empreender”, de prover e de exercer autonomamente o seu trabalho, sem dar explicações.

Há milhares de mulheres empreendedoras entre nós.

Assim como a mulher de provérbios 31, elas trabalham em muitos lugares. Algumas lavam roupa e sustentam a casa. Outras chegam até a serem “Presidentes”. Elas sabem cuidar de dois mundos tão díspares: o da casa e do trabalho—sem falar na gestão familiar e nos amigos.

Elas, na maior parte das vezes, conseguem dar conta de todos os mundos. Vão bem da cozinha ao trabalho. E no caminho ainda fazem mil outras provisões familiares.

No entanto, sua mais preciosa virtude é que "aquela mulher" faz aquilo tudo, tem toda aquela liberdade de movimento, faz sua própria agenda, lida com homens mercadores, compra, vende, prospera, dá conta da casa e dos filhos, e trabalha até a noite—mas nada disso aproveita sem a declaraçao de que "a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada".

E quem dá testemunho disso são seus próprios filhos e seu marido...

Levantam-se seus filhos, e lhe chamam bem-aventurada,
como também seu marido, que a louva, dizendo:
Muitas mulheres têm procedido virtuosamente,
mas tu a todas sobrepujas.
É aí que está sua grande virtude. Não está no que ela faz; está em quem ela é! Ela reúne charme, beleza, criatividade, capacidade produtiva, coragem para empreender, e generosidade com os pobres mas, acima de tudo, um grande temor a Deus...

Charme, Criatividade e Caráter!

Assim, posso dizer que a mulher de hoje reivindica liberdade, mas a confunde com libertinagem..
Escolhe a sedução ao invés da sabedoria.
Reivindica direitos iguais, mas, todavia, precisa ainda aprender a exercer sua liberdade sem o referencial machista, que é o feminismo.

E ela... teme ao Senhor!

Quando isto acontece, surge um ser grandioso, lindo, insuplantável.

De fato, como diz Paulo, surge aquela que é a “glória do homem”: a mulher! E se vejo bem, glória é expressão do melhor. Assim, o melhor do “homem” aparece na plenitude da verdadeira mulher!

Que nós, mulheres, sejamos mulheres tementes a Deus...
Mulheres virtuosas, de cama e mesa, e, se possível, com babados e rendas... com o toque feminino, sem o poder contaminado do feminismo... pois todos os “ismos” são invenções humanas, e já nascem corrompidos...

Que sejamos sensatas, honestas, livres no pensar...

Mulher virtuosa ...

Que teme a Deus e sabe que Ele a fez com propósito diferente, mas nem por isso subserviente ao homem...

Aquela que serve seu marido, mas sempre fica do tamanho dele...

Que é servida, mas sempre recebe isto com prazer;

Que se sente tão dona do seu marido quando ele se sente dono dela...

Que, juntos, conversam sobre as mais gulosas alegrias dos corpos deles, quando se libertam no encontro de amor...

Um beijo a todos, e em especial, a todas as mulheres virtuosas...
E a vocë, Sheilinha... todo o meu carinho e admiraçao por ser uma grande mulher virtuosa...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Liberte a criança que existe em você!






A criança, a infância, a adolescência, a fase pueril, “inocente”, nem sempre foram vistas com o mesmo olhar de hoje. A velha sociedade tradicional via mal a criança, e pior ainda o adolescente.

A duração da infância era reduzida a seu período mais frágil. De criancinha pequena ela se transformava imediatamente em homem jovem, sem passar pelas etapas da juventude, que talvez fossem praticadas antes da Idade Média e que se tornavam aspectos essenciais das sociedades evoluídas hoje.

A transmissão dos valores e dos conhecimentos, e de modo mais geral, a socialização da criança, não eram, portanto, nem asseguradas nem controladas pela família. A criança se afastava logo de seus pais, e pode-se dizer que durante séculos a evolução foi garantida pela aprendizagem, graças à convivência da criança ou do jovem com os adultos. A criança aprendia as coisas que devia saber ajudando os adultos a fazê-las.

A passagem da criança pela família e pela sociedade era muito breve e muito insignificante para que tivesse tempo ou razão de forçar a memória e tocar a sensibilidade.

Na sociedade moderna, a escola substituiu a aprendizagem como meio de educação. A criança passa a ser separada dos adultos e mantida a distância numa espécie de quarentena, antes de ser solta no mundo. Essa quarentena foi a escola. E assim começa um longo processo de enclausuramento das crianças (como dos loucos, dos pobres, das prostitutas, dos ladrões), que se estenderá até nossos dias, e ao qual se dá o nome de escolarização.


E hoje, em pleno século XXI, assistimos a uma revolução pedagógica responsável pela formação do imaginário que, segundo Franco Cambi, “ não passa mais pelo mundo familiar ou das culturas locais, a não ser uma escassa parte, mas, antes, é dominada pela televisão (...), e agindo sobre o imaginário, penetra com seu alimento e seu veneno em toda a personalidade infantil, adolescente e juvenil (sobretudo), (...) regulando modas, consumos, modelos e comportamento”.

As crianças têm sofrido muito, pois muito mais que um enclausuramento pelo viés da família e da escola, nossas crianças têm sido expostas a um “enclausuramento simbólico” que exige de nós uma grande responsabilidade frente a elas.

Jesus é o pedagogo por excelência, e conferiu respeito, valor, dignidade aos pequeninos quando afirmou em Mateus 21:16 que o perfeito louvor vinha da boca dos pequeninos”. Jesus envolveu-se com crianças curando, abençoando, providenciando alimento, libertando, impondo as mãos. No seu envolvimento com crianças, Jesus as incluiu em 7 milagres, 3 parábolas e 8 ensinos.

Quando Jesus estava com Seus discípulos, estes lhe perguntaram quem era o maior no reino dos céus. Ele tomou uma criança, colocou-a no meio deles e disse-lhes que aquele que não se tornasse como uma criança não entraria no reino dos céus, mas aquele que tivesse um coração humilde como o de uma criança, esse seria o maior no reino dos céus.

E disse mais: Qualquer que fizer tropeçar a um desses pequeninos, melhor seria que atasse uma pedra de moinho ao pescoço e fosse afogado nas profundezas do mar (Mt 18:1-7).

Que grande tarefa!
Cuidar bem dos pequeninos e aprender com eles.

Em verdade vos digo que quem não receber o reino de Deus como criança, de maneira nenhuma entrará nele” .

Que possamos libertar a criança que existe em nós!

Grande beijo,
Vanessa

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Tiremos as máscaras!





As máscaras são passaportes para mundos imaginários.


Na África, as máscaras foram criadas pelos artistas das tribos e usadas em ritos religiosos. No Antigo Egito as máscaras eram usadas em sacrifícios cerimoniais. As múmias eram mascaradas, antes do enterro, com máscaras adornadas de pedras preciosas.


Os Esquimós, no Alasca, acreditavam que cada criatura tinha uma dupla existência, e podia mudar para a forma de um ser humano ou animal, bastando querer.
Os nativos americanos, da parte noroeste dos Estados Unidos, usavam máscaras numa cerimônia anual em que choravam os mortos.


No Brasil, as tribos faziam e usavam máscaras representando animais, aves e insetos.


Na Ásia, as máscaras eram também usadas para cerimônias religiosas, e mais tarde, para funções sociais, tais como casamentos, e diversos divertimentos.


Na antiga Grécia e Roma eram usadas para festivais e teatros, foi onde começou o uso das máscaras para fins artísticos. Com o fim da antiga civilização Romana, as máscaras caíram em desuso. Os primeiros Cristãos atribuíram o uso de máscaras a cultos pagãos, tornando-as quase ilegais.


A máscara, historicamente falando, foi um adereço cênico do teatro grego.


No dicionário de Psicologia de Henri Pieron, o verbete máscara, tem o designativo de persona e vem com a seguinte conceituação: “Máscara que simula a individualidade e dá, tanto aos outros como a si próprio, a ilusão da individualidade, embora só se trate de uma máscara de “psique coletiva” que representa um papel” (Jung,1923).


A máscara é, pois, um artefato que caracteriza um aspecto superficial e falso.


Soren Kierkegaard certa vez disse que a vida é um baile de máscaras. Ele sabia que este era o escudo atrás do qual as almas se escondiam de si mesmas, e, assim, tentavam ocultar suas faces também para a percepção dos demais.


Para muitos, esconder-se atrás das máscaras é apenas uma questão de proteção ou de diversão inexaurível, um vício do ser, a tal ponto que sem as máscaras muitos homens não suportam e morrem. Assim, para a maioria, sem o personagem, acaba a pessoa.


Sendo assim, diz Kierkegaard, “você é tão mais bem sucedido, quanto mais enigmática for a sua máscara”.

A maioria existe assim. Daí, para muitos, catástrofes que lhes roubem as “máscaras” os deixam em estado de desespero, pois não possuem um rosto próprio ...


Vende imagem, e se alimenta dela.


Mas no dia em que as máscaras são tiradas, muitos não conseguem mais viver, pois neles não há uma vida própria, mas apenas uma existência fabricada para consumo no Baile de Fantasias, que é a existência da maioria.


Mas Deus sonda, perscruta nosso coração... Ele nos conhece e sabe que diante Dele todas as máscaras caem por terra...


Somos quem somos... desnudos, transparentes...


No Reino de Deus não haverá Baile de Máscaras... " Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus"... Só há perseguição quando há reconhecimento de identidade, revelação de quem, de fato, somos...


A Graça de Deus é um convite para que vivamos autenticamente ainda nessa vida! Mas temos que distinguir a Graça de Deus das nossas próprias gracinhas: nossas máscaras existenciais, belas aos olhos dos outros, sepulcros caiados diante de Deus!


Que possamos desmascarar, escancarar, arreganhar nosso coração diante de Deus e dos homens, testificando da Graça que habita em nós!


Reconheçamos isso, ou perderemos o poder unificador da personalidade e a capacidade abençoada de nos tornarmos alguém que seja realmente “nós mesmos”.

Grande beijo,
Vanessa

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Feliz e Triste 2008!






O ano de 2008 não será um ano fácil.

Lendo o livro “Vidas Desperdiçadas”, de Zygmunt Bauman, tive um “surto apocalíptico” existencial...
Apesar de ser mais um ano novo, em que a humanidade se alegra, vejo que ela se mascara, se engana e não há tantos motivos pra comemorar. Afinal, os prenúncios que o planeta nos dá são de que as dores do parto estão para começar.

A natureza nunca gemeu tanto... E geme pela tortura lenta, sistemática e cega que nós, os humanos, lhe impomos.

Mas o gemido de agora não é de um parto natural, mas uma sangrenta e primitiva cesariana.

A quase totalidade da produção e do consumo humanos tornou-se mediada pelo dinheiro e pelo mercado; a mercantilização, a comercialização e a monetarização dos modos de subsistência dos seres humanos penetraram os recantos mais longínquos do planeta.

E apesar da modernização ter progredido de modo triunfante, alcançando as partes mais remotas do planeta, ainda há fome, miséria, desemprego, tristeza, intolerância, insatisfação, egoísmo e morte.

E agora... todas as localidades (incluindo, de modo mais notável, aquelas com elevado grau de modernização) têm de suportar as conseqüências do triunfo global da modernidade..

A globalização se tornou a mais prolífica e menos controlada – “linha de produção” de refugo humano ou de pessoas refugadas. Ela liberou e pôs em movimento quantidades enormes e crescentes de seres humanos destituídos de formas e meios de sobrevivência...

E os problemas do refugo (humano) e da remoção do lixo (humano) pesam ainda mais fortemente sobre a moderna e consumista cultura da individualização.

Sem “um lugar ao sol” para todos, com o distanciamento cada vez maior entre ricos e pobres, com o massacre cada vez mais cruel das sociedades desenvolvidas sobre as subdesenvolvidas ou pré-modernas - aterros sanitários óbvios e prontos a serem utilizados para o despejo do refugo humano da modernização -, as comemorações de final de ano, os champanhes, os fogos de artifícios, os votos de feliz ano novo ficam cada vez mais simplistas, menos verdadeiros... pois não carregam em si essa mensagem!

Na verdade, a festividade do primeiro dia do ano será para celebrar um ano a menos de existência na Terra. Para quem não carrega no peito a esperança do Filho do Homem e de Sua volta, é apenas a celebração da proximidade da morte, não da vida.

Mas não temos como não nos alegrar com o futuro.

Fomos feitos para o Sempre.

E aqueles que conhecem a Deus já passaram da morte para vida.

E se vivemos, para o Senhor vivemos; e se morremos, para o Senhor morremos; quer, pois, vivamos ou morramos, nós somos do Senhor.
Por isso, que 2008 seja um ano com a extensão do que Cristo tem sido em nós, pois é Ele quem faz nova todas as coisas, quem virá com poder e glória para reinar por toda a eternidade... quem fará novos céus e nova terra... e quem enxugará dos nossos olhos toda lágrima!

Por isso, estou a cada dia mais próxima do que já é, e em mim será, pois Nele eu já sou.
Feliz e Triste 2008,
Mas um Feliz Ano Novo, com a consciência existencial do que haverá de vir...
Nele, em Quem somos,
Vanessa