domingo, 27 de julho de 2008

Estados europeus desalmados, por Leonardo Boff


A “Diretiva do Retorno” também chamada de “Diretiva da Deportação ou da Vergonha”da Comunidade Européia acerca dos extracomunitários ilegais desmascara uma faceta desumana que a cultura européia sempre teve e que dificilmente consegue disfarçar. É uma cultura identitária. Possui dificuldade imensa de conviver com o diferente. Ou o agregou, ou o submeteu ou o destruiu. Invadiu praticamente todo o mundo conhecido, subjugando e matando com a cruz e a espada.

Foi ela que, nos primórdios da modernidade, provocou o maior genocídio da história humana, segundo o historiador Oswald Splengler em seu O declínio do Ocidente. Onde na América Latina havia 23 indígenas, diz-nos o antropólogo Darcy Ribeiro, após um século, restou apenas um. Depois dominou as populações restantes, explorou todos os recursos naturais possíveis que serviram de base para a industrialização e seu enriquecimento que são suas injustas vantagem até os dias de hoje. Atrás de seus feitos comerciais e técnicos há rios de sangue, de suor e de lágrimas. É uma cultura montada sobre o poder-dominação.

Agora, passando por cima de vários artigos da Declaração dos Direitos Humanos de 1948 (quando foi que a respeitaram?) maltratam imigrantes, consideram-nos criminosos a serem encarcerados, mesmo menores, sem precisar de mandato judicial, apenas mediante um procedimento administrativo. Prevêem-se campos de concentração para eles. Esses imigrantes escondem tragédias em suas vidas. Estão lá porque querem sobreviver e ajudar a suas famílias que deixaram em seus países.

Vejam a contradição: no século XIX os sobrantes do processo de industrialização europeu, aqueles que poderiam desestabilizar o capitalismo selvagem nascente, previsto por Marx, foram destinados à exportação. Não veio qualquer tipo de gente. Tinham primazia os empobrecidos e os doentes, como meus avós italianos. Todos de sua leva eram acometidos de tracoma, na época de difícil cura. Eu mesmo quando criança passei por esta doença bem como todos de nossa região no interior de Santa Catarina, onde se situa hoje a Sadia e a Perdigão, conhecidas por seus bons produtos.

No Brasil foram acolhidos com generosidade. Ganharam terras, ajudaram a construir esta nação e agora, com a riqueza natural com que Deus nos galardoou, podemos ser a mesa posta para as fomes do mundo inteiro. As políticas da Comunidade européia de hoje, não mostram nenhuma reciprocidade. Com ações articuladas, se revelam cruéis e sem piedade. Relata-nos o príncipe de nossos jornalistas, Mauro Santayana, no JB de 22/06, que nos anos 80 economistas e sociólogos norte-americanos e europeus sob o patrocínio de banqueiros concluíram que era necessário afastar do consumo 4/5 da humanidade, a fim de garantir a gestão do planeta e manter os privilégios dos 20% de ricos. Os demais deveriam ser marginalizados até a sua extinção.

Parece que o genocídio está inscrito no código genético deste tipo de gente que está por detrás de quase todas as guerras dos últimos séculos. A eles que gostam de cultura como pura ilustração lhes recordo o que Immanuel Kant(+1804) diz em sua A paz perpétua (1795). A primeira virtude de uma república mundial é a “hospitalidade geral”, como direito e dever de todos. Todos estão sobre o planeta Terra, diz ele, e têm o direito de visitar suas regiões e seus povos, pois a Terra pertence comunitariamente a todos.

Só espíritos anti-cultura ocidental como Francisco de Assis, João XXIII. Luther King e Madre Tereza podem oferecer um paradigma que resgate e salve estes Governos da maldição da vida e da ira divina que pairam sobre ele.

Leonardo Boff

domingo, 13 de julho de 2008

Um brinde à felicidade...




Às onze e meia do dia 3 de junho de 1971 você nasceu, de parto normal, como orgulhosamente seus pais contam. Um menino forte, que teve uma mãe-preta, mãe de leite, como os antigos diziam.

Seu pai, um militar carioca recém-chegado ao quartel de Uberaba. Sua mãe, recém-formada no magistério, embora nunca viesse a exercer a profissão. Destinos cruzados que me trouxem você.

Nascido em Uberaba, passou lá a primeira infância, junto a seu único irmão. Você com quase cinco, ele com quase três.

Sei que tiveram uma infância feliz, pais amorosos e dedicados, que nunca mediram esforços para cobri-lo de mimos, mas também de uma boa educação.

Quando se mudou para Uberlândia, foi morar num bairro periférico.. a rua era íngreme, a vizinhança nada agradável e você, um menino levado, cujas cicatrizes são o registro da sua molecagem.

Já roubou muito caju na casa da vovó Maria, sem saber que esta seria, anos depois, a avó da sua esposa, bisavó dos seus filhos.... Será que estava escrito? Eu não sei, o que sei é que quando nos conhecemos acreditei que nos casaríamos, pois sem saber, eu sabia que assim era, e era antes de ser...

Vi você pela primeira vez no Colégio Bom Jesus, em 1987, numa das reuniões da igreja. Foi numa manhã de domingo. Você estava de camiseta roxa e calça jeans. Não fomos apresentados, mas nossos olhares se cruzaram e, definitivamente, achei você muito feio.

Com o passar do tempo, passei a vê-lo com olhar diferente... Jesus certa vez disse que a luz do corpo está no olhar. Quando os nossos olhos olharem com os olhos do bem, o que veremos será bom, e, assim, todo o nosso ser será luminoso.

Assim, com o passar do tempo, “enxerguei” você com os olhos do coração, olhos da alma... Não demorou muito pra começarmos o namoro.

Foi numa quarta-feira do dia 7 de abril de 1988 que tivemos o primeiro encontro, o primeiro aperto de mão, o primeiro beijo.

Meu primeiro aniversário com você como namorados foi de 15 anos. Mesmo contra minha vontade, mamãe insistiu numa festinha. Você se atrasou muito, me deixou ansiosa e ainda me presenteou com um quadro horrível de dois gatinhos enfeitados com pano de fundo com corações vermelhos.... É claro que na época achei lindo, embora tenha confessado pra mamãe tempos depois que nunca vi tanto mal gosto.

Essa foi a primeira festividade juntos: aniversário de namoro, natais, dia dos namorados e, raras vezes, você acertou nos presentes!

Lembro-me do meu primeiro almoço na casa dos seus pais. Sua mãe querendo sempre agradar, insistia na frase: “olha, não precisa ter vergonha, pode comer mais”... e isso te irritava bastante.

Com essas e outras atitudes, fui conhecendo você aos poucos.. Confesso ainda não conhecê-lo totalmente, pois sempre estou me surpreendendo com alguma palavra, algum gesto, um olhar atravessado, um sorriso disfarçado. Às vezes decepciono-me, por vezes novamente me apaixono.

Tivemos um namoro prolongado... sete anos! E nesse tempo, nos guardamos um pro outro. Você foi não só um namorado, mas um grande amigo. Enfrentou comigo meus piores dias, dentre eles, a separação dos meus pais. Você nunca mediu esforços, nunca reclamou, nunca hesitou em me levar de moto, no frio, no escuro, na solidão, para que eu pudesse dormiu na chácara com o papai, que na época já estava muito doente.

Nosso namoro também foi repleto de respeito, não só com relação à fidelidade, mas à individualidade de cada um. Nunca houve possessividade, nem de minha parte, nem da sua. Você continuou a cultivar e a fazer amigos: Túlio, Eslon, Josias, Tiléo e outros que viriam a surgir... Continuou a fazer suas viagens, seus passeios de bike...

Noivamos em novembro de 1994: apenas colocamos uma aliança sentados no sofá marrom da casa dos meus pais, que já não era mais deles... afinal, já estavam separados! Foi nessa época que você não quis mais estudar. Deixou o curso de Geografia faltando um ano para concluir. Uma grande decepção para seus pais.

No inverno de 1995, 7 de julho, finalmente nos casamos. Um momento lindo. E foi depois desse momento que continuei a conhecer você.... agora na intimidade, sem o disfarce, sem as máscaras e as maquiagens que às vezes, comodamente, o namoro proporciona. Você não tinha emprego fixo, trabalhava em Nova Ponte no Ski-Banana e eu, professora na Escola de suplência da Nestlé, onde ali, faríamos grandes amigos. Alguns deles, Arnaldo e Cláudia, meus filhinhos na fé.

Em sete anos, sete casas diferentes... Enfrentamos, juntos, momentos difíceis, mas divinamente superados... E isso talvez seja o que nos diferencia de muitos casais, pois nos amamos, e quem se ama, tem todas as chances, mesmo quando falha ou decepciona um ao outro. Mas quem não se ama, pode apenas conseguir resistência para agüentar aquilo que detesta.

Apesar dos nossos treze anos casados, vinte anos juntos, tivemos nosso primeiro filho em meio a muito desejo (mais da minha parte do que da sua), e muito choro (somente de minha parte, é claro). Mas me lembro bem, era abril, mês quente, acordei disposta a procurar um médico especialista em fertilidade. Tudo deu certo, vendemos naquela semana a nossa única moto e fiz a inseminação, no dia 9 de maio de 2002.

Quando olho o Neemias lembro-me de você irritado, com um frasquinho de sêmem na mão, pessimista com a idéia de dali sair um “filho”. Mas poderosamente ele veio. “Neemias, Consolo de Deus. Consolo para nossas vidas, estraçalhadas pelas circunstâncias adversas que outrora vivenciamos.... e que trouxe cheiro bom e alegria às nossas vidas.

Calebe, Amigo Fiel, nosso segundo filho. Um grande susto, uma inexplicável gratidão.

Nossos filhos, herança do Senhor. Duas vidas, duas pessoinhas, nossa continuidade!

Agradeço a Deus todos os dias por nossas vidas...

Que se uniram...

Se abalaram...

Se firmaram...

Agradeço por quem você é, com todos as virtudes e os defeitos... paciente, amigo, de poucos elogios, mas de grande coração. Uma das qualidades que mais admiro em você, por incrível que pareça, é seu bom humor. Você é alegre, é feliz, esnoba tranqüilidade, maturidade, apesar de nem todos te perceberem assim. Mas eu o conheço...

O que desejo a nós nos 13 anos de casados?

Muito beijo na boca...

Muitas tardes sem futebol...

Muitas noites dormindo antes das onze...

Muitas datas comemorativas sem se esquecer dos presentes...

Muitas noites se levantando pra cobrir os meninos, me deixando dormir preguiçosamente por mais alguns segundos...

Muitas viagens juntos, de preferência sem os meninos...

Muito pãozinho quente com cafezinho fresco...

Muito Som do Céu...

Muito passeio com os amigos...

Muitas noites dormidas em barraca...

Muito cinema...

Muito banho quente implorando por uma toalha limpinha...

Muitas noites abraçadinhos debaixo de um edredom quentinho...

Muita alegria e conversa fiada com os amigos, meus e teus...

Muitos anos de vida...

Muitas felicidades...

Muito prazer ao meu lado.

Que Deus nos dê ainda muita sabedoria para mantermos o que temos e que saibamos evitar tudo aquilo que venha a destruir nosso vínculo.

Te amo demais.

Com todo amor do mundo,
Sua, sempre sua,
Vanessa

A criança na contemporaneidade




Trabalhando como educadora de uma grande escola da rede municipal, atuando como Supervisora Pedagógica, cuja função específica é capacitar o docente em serviço, percebo que a crise educacional é real.
Não só por causa do salário ínfimo que os profissionais da educação recebem, não apenas pelos altos índices de evasão e repetência escolares ou pelo descompromisso da família para com a educação de seus filhos, mas também, porque não temos conseguido satisfatoriamente atender às expectativas, sonhos e motivações dos nossos alunos.

É como se nossas salas de aula estivessem povoadas de jovens seres do século XXI e nós, professores e professoras confusos ou míopes, continuando a enxergar ou a fazer de conta que lá estão os meninos e as meninas imaginados pelas teorias dos compêndios do século XVII, XVIII, XIX e parte do XX. Já é tempo de nos darmos conta de que o mundo mudou muito também dentro de nossas escolas.

Esquecemos com freqüência de que são postas em circulação imagens e significados sobre a infância e a juventude que se afastam cada vez mais das visões tradicionais com as quais nos acostumamos.

Nossas crianças e adolescentes estão cada vez mais cedo e com maior freqüência expostos à violência, às drogas, ao sexo; a infância é encurtada e a juventude cada vez mais exaltada e prolongada.
Novos padrões de comportamento são ditados: tatuagens, cabelos longos, piercings, moda funk, sexo liberado mas seguro, estilos ecléticos de música e arte, enfim, um currículo paradigmático para todas as tribos e culturas que adentrou na escola, desestruturando e desequilibrando os profissionais que não têm ainda acompanhado essas mudanças.

Que possamos, então, como educadores, produzir uma obra de orientação, de acompanhamento, de interpretação ativa de nossos conceitos, que a cada época ganham novas configurações e transformam em obsoletos os paradigmas do “ontem”.

Para tanto, uma leitura transdisciplinar da contemporaneidade que ultrapasse os muros que nos cercam no arraial escolar, torna-se pré-requisito para construir significativamente as subjetividades e as identidades das crianças e adolescentes de nossos dias.

Vanessa


quarta-feira, 2 de julho de 2008

Mulher Águia...


Mãe,

Quero chegar aos sessenta e cinco com a sua jovialidade...

Jovialidade no corpo, mas principalmente na alma, pois mesmo que o corpo não esteja tão bom, o resto, o todo, fica cada vez melhor.
Mulher águia, cujo vigor e renovação das forças estão em Deus...

Mulher águia, cujo renovar, subir, voar, correr e caminhar é fruto apenas do poder que espera na fraqueza...

Mulher águia...
Que precisa sempre escolher entre o "deixar-se" morrer ou enfrentar um novo e dolorido processo de renovação...
Mulher águia...
Que se resguarda, recomeça e se desprende de lembranças amargas...
Esta é a razão pela qual os que esperam no Senhor renovam suas forças, e sobem com asas, como águias, e correm e não se cansam, caminham e não se fadigam...
E nessa espera, se renova, sobe, voa, corre e anda...
Mulher águia, que sabe que não depende de quem quer e nem de quem corre, mas de usar Deus de sua misericórdia...

E eu, bem mais jovem, bem mais cansada... bem mais moça e bem mais exausta...

Assim,o meu desejo é que eu fique cada dia mais cheia de esperança, de sorte que a minha velhice também venha a se renovar como águia...
Amo você.
Com todo amor do mundo,
Vanessa


quinta-feira, 26 de junho de 2008

Viva Sâo João


Jesus se referiu a João Batista como o maior dentre os nascidos de mulher. No entanto, esse maior dentre os homens não era “digno de desamarrar as sandálias de Seus pés.” Ele dizia: importa que Ele cresça, e eu diminua.

João, o homem que Jesus chamou de ‘maior’, nunca usou títulos e nem referência alguma de autoridade: Você é Elias? Não! É o profeta? Não! Ele era a Voz! Mais tarde, Jesus diria: O maior entre vós seja o que mais serve!

Ele era um homem sem barganhas a fazer com nada e com ninguém. Sua política era não ter qualquer política nas relações humanas que estabelecia, enquanto “preparava o caminho do Senhor”.

Nem o Rei Herodes escapou de ver sua vida íntima cheia de mentira e traição exposta à luz do dia por João Batista. Enfim, João não era polido quando o assunto era cada um viver o arrependimento que dizia ter experimentado.

Aos militares, sua mensagem era para que não praticassem extorsão, subornos e ameaças...
Aos cobradores de impostos, para que não superfaturassem com a arrecadação do contribuinte...
Aos líderes religiosos, para que dessem frutos dignos de arrependimento, além, é claro, de chamá-los de “raça de víboras”...

Arrependam-se! Arrependam-se! E vivam como arrependidos...

Essa era a Voz de João Batista...

Uma Voz que não se faz mais ouvir...

A essência da sua pregação deu lugar a festividades pagãs que em nada carregam a mensagem original: o compromisso exclusivo com a Mensagem do Reino de Deus, que não está aqui ou ali, mas dentro de nós.

Ao contrário do orgulho auto-suficiente da religião institucionalizada e cheia de si mesmo, a mensagem de João no deserto era a GRAÇA, a dependência da salvação em Jesus, que batiza com o Espírito Santo quem não merece nada de Deus.

Assim, o que João anuncia é que não há mérito nenhum em ser quem somos se nossas vidas não se mostrarem transformadas íntima e pessoalmente.

Sem arrependimento sua religião é NADA para Deus! Mudem!!!

Essa era a voz de João Batista... A voz que clama no deserto...


A Voz que ainda ecoa no meio do deserto...

João foi também o primeiro a conhecer o amor de Jesus como Mistério, e como uma realidade que pode ser experimentada como absurdo e tragédia.

Foi o primeiro a dizer tudo acerca de Jesus como verdade.

Foi o primeiro mártir da esperança. João morreu por um capricho. E Jesus não fez nada para impedir. Assim, desde o início que se fica sabendo que muitos aos quais Ele ama, sofrem e morrem mortes banais e idiotas.

E foi assim que João ganhou, sem o saber, seu próprio lugar entre os maiores do Reino.

Vanessa

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Coríntios 13



CORÍNTIOS 13


Quisera eu falar as línguas das nações

E aos povos emanar em puras intenções

Deve ser doce, enfim, a língua angelical

Clamar com os serafins o Nome sem igual


E se eu profetizar, mistérios desvendar

Saber qual a razão de estrelas na amplidão

Se eu não tiver amor, de nada valerá

Eu viverei só pra saber o que é viver em vão


Quisera fé maior pra que eu vencesse o mal

E ao Pai servir melhor, pureza mais real

Oferecer os bens a quem mais precisar

Ir longe, muito além, a vida entregar

E eu que nada sou, não tenho muito a dar

Mas se eu tiver amor na vida que eu levar

Eu saberei , então, que o pouco que eu fiz

Não foi em vão, valeu a pena sentir meu Deus feliz!

(tp://steniomarcius.blogspot.com)


Por isso, esposo querido...

Se tivermos amor na vida que levarmos...

Saberemos que valeu a pena sentir o nosso Deus feliz!
Amo muito você...
Vanessa

terça-feira, 10 de junho de 2008

Quanto custa a bênção?



Samaria nos dias atuais

Os oito primeiros capítulos do livro de Atos têm em Pedro e João as personagens centrais na anunciação das Boas Novas.

Uma mistura de sinais e prodígios, milagres, choro e perseguição, alegria e contentamente faziam parte do dia-a-dia dos apóstolos e aonde quer que fossem ou estivessem, agiam de modo desinstalado, indo e pregando, assim como ensinando e batizando aos que cressem...

Em meio a oração pelos doentes, libertação dos oprimidos, descida do Espírito Santo

acompanhada de sinais sensoriais como o falar em outras línguas, um certo homem chamado Simão estava ali...

Era um homem respeitado...

Uma grande figura, mágico por profissão...

Era conhecido como o Grande Poder...

Segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas, o historiador de Paulo e grande amigo dele, este homem ouviu, viu, creu, foi batizado e passou a seguir Pedro, João e Filipe bem de perto.

Assim... Simão, vendo a beleza e a sinceridade de tudo, percebeu que o que via, além de fazer "bem à alma e ao espírito", também poderia se transformar num grande negócio...

E a ganância de Simão venceu sua breve alegria...

E Simão oferece dinheiro a Pedro para que ele também recebesse o poder de conceder aos homens o Espírito de Deus pela imposição de mãos, assim como faziam os apóstolos...

Simão, um mágico, sabia distinguir o verdadeiro e o falso no mundo sobrenatural...

Simão, grande mestre da ilusão, viu no poder do Espírito Santo uma grande chance de renovar seu repertório profissional: " Concede-me também a mim este poder - pede ele a Pedro, oferecendo-lhe dinheiro como pagamento pela compra da bênção"...

E o dinheiro vira moeda de troca para comprar o que lhe fora concedido gratuitamente...

Mas Pedro repreende a Simão e não permite se vender à barganha proposta...

Pedro enxerga angústia de morte na alma de Simão: "sua alma é fel de amargura e laço de iniqüidade"...

Simão foi batizado, amava o sobrenatural, mas era viciado na ilusão e na manipulação...

Um fenômeno que ainda se repete nos dias atuais...

Manipulação do sobrenatural...

Dinheiro em troca da bênção...

Ganância pelo poder usando o nome de Deus...

Arrepende-te... é o clamor de Pedro a Simão!

Que Deus salve Pedro de Simão...

Que Deus tenha misericórdia do Pedro que atendeu à barganha de Simão...

Que Deus livre Pedro de virar Simão...

Que Deus libere perdão ao Pedro que virou Simão...

Que Deus nos livre de virar Simão...

Nele, que ama tanto a Pedro quanto a Simão, mas que tem em Pedro o protótipo Daquele que não deseja que viremos Simão...

Vanessa